Podemos
definir uso como qualquer consumo de substâncias (experimental,
esporádico ou episódico), abuso ou uso nocivo como sendo um consumo de
substâncias que já está associado a algum prejuízo (quer em termos
biológicos, psicológicos ou sociais) e, por fim, dependência como o
consumo sem controlo, geralmente associado a problemas sérios para o
usuário. Isso nos dá uma ideia de continuidade, com uma evolução
progressiva entre esses níveis de consumo: os indivíduos passariam
inicialmente por uma fase de uso, alguns deles evoluiriam posteriormente
para o estágio de abuso e, finalmente, alguns destes últimos
tornar-se-iam dependentes. As classificações actuais de distúrbios
provocados por drogas psicotrópicas fornecem critérios para diagnóstico
que são gerais, ou seja, independentemente da substância consumida para
se caracterizar abuso/uso nocivo ou dependência. Nem todo uso de drogas é
devido à dependência e a maior parte das pessoas que apresentam uso
disfuncional de alguma droga não é dependente. Estudos recentes têm
mostrado que a condição de uso nocivo de uma droga nem sempre progride
para a dependência.
A
síndrome de dependência, segundo a Classificação Internacional de
Doenças, CID-10 (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento
da CID-10), é descrita por um conjunto de fenómenos fisiológicos,
comportamentais e cognitivos, no qual o uso de uma substância ou uma
classe de substâncias alcança uma prioridade muito maior para um
determinado indivíduo que outros comportamentos que antes tinham valor.
Um diagnóstico de dependência deve usualmente ser feito somente se três
ou mais dos seguintes requisitos tenham sido experimentados ou exibidos
em algum momento durante o ano anterior:
-
Um forte desejo ou senso de compulsão para consumir a substância;
-
Dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de início, término ou níveis de consumo;
- Um estado de abstinência fisiológico quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, evidenciado por: síndrome de abstinência característica para a substância ou o uso da mesma substância (ou uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar sintomas de abstinência;
- Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoactiva são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
-
Abandono
progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da
substância psicoactiva, aumento da quantidade de tempo necessário para
obter ou tomar a substância ou para se recuperar de seus efeitos;
- Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por consumo excessivo de bebidas alcoólicas, estados de humor depressivos consequentes a períodos de consumo excessivo da substância ou comprometimento do funcionamento cognitivo relacionado à droga.


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